segunda-feira, 16 de junho de 2008

Portugal vs. Suiça

Portugal 0 - 2 Suiça

E se...
... a equipa de "suplentes" ganhasse e houvesse maior competição nos treinos pela titularidade?
... a equipa de "suplentes" perdesse (e jogasse mal) e os "titulares" se sentassem à sombra da bananeira?
... os "suplentes" não tivessem aproveitado a oportunidade porque sentiram que não era uma verdadeira oportunidade?
... o treinador perdeu o respeito e seriedade que tanto exigia ao revelar a não continuidade no grupo?
... essa saída fizesse com que os jogadores se tenham santido traídos? Descomprometidos do líder? Abandonados?
... as pessoas admitissem os erros?
... levassemos uma injecção de humildade e união?
... mesmo que a arbitragem tivesse sido desfavorável, não teríamos obrigação de ganhar?
... esta derrota tiver sido crucial para que o grupo se una ainda mais em prol do mesmo objectivo rumo à final?

O próximo jogo pode ser o último de Scolari. A pergunta é... como lidarão os jogadores com esse facto?
Por curiosodade, estas foram as palavras mais utilizadas pela imprensa/comentadores desportivos: "desarticulação", "empenho", "utilidade" e, por fim, "sem importância".

Até quinta-feira...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Portugal vs. Rép. Checa

Portugal 3 - 1 Rép. Checa
Durante os dias antecedentes falou-se da altura dos adversários, e o quão poderosos eram no jogo aéreo. Até que alguém se lembrou de dizer que se tivessemos a bola, eles não marcavam.
Esta "disputa de bola" pré-jogo pode ter estado na origem da confusão dos jogadores durante a 1ª parte do jogo, onde parecia que não havia objectividade nem entrosamento. O 1º golo de Portugal resultou de um toque de N. Gomes que, por sorte, foi parar a C. Ronaldo. E as bolas aéreas eram, efectivamente, perdidas (até foi assim que sofremos o golo do empate).
Considero que o intervalo foi o momento decisivo do jogo. Scolari talvez tenha alertado a equipa para o facto de não haver... equipa. Era necessária outra atitude.
Sem dúvida que a palestra fez bem. A equipa entrou com muito mais personalidade e vontade de ganhar. Mais incisiva sobre os movimentos atacantes e decisivos, os jogos chegaram com naturalidade, especialmente o 3º. A concentração estava realmente activada ao ponto de, uma facta na linha defensiva ter dado um golo em apenas 10 segundos - a bola estava parada mas os 3 jogadores que participaram no jogo estavam envolvidos de tal forma... que deu golo! Não é qualquer equipa que marca um golo assim (não pela dificuldade técnica, mas pelo comprometimento pelo jogo até ao último apito).
Curiosamente, com a entrada no "bom gigante", Portugal não perdeu qualquer bola de cabeça para este super-atleta. Porquê? Porque a motivação salta mais que 2 metros...
Bonito o gesto de C. Ronaldo quando referiu o seu contentamento em ter ajudado a Cruz Vermelha ao ter marcado o golo - é mais uma estratégia de motivação!
Segue-se a já desqualificada Suiça. Scolari aproveitará este jogo para dar uma injecção de motivação aos restantes jogadores não tão utilizados neste Euro2008... já a pensar nos resultados do grupo B.
Bem hajam.

domingo, 8 de junho de 2008

Portugal vs. Turquia

Portugal 2-0 Turquia

Um jogo onde Portugal era favorito e fez tudo para se adiantar no marcador. Com determinação e, acima de tudo, confiança, fomos capazes de materializar os objectivos propostos em objectivos conseguidos.
A entre-ajuda foi determinante para a vitória. Os festejos dos golos foram feitos com o banco de supentes, que demonstra uma grande união, fundamental para qualquer vitória.
Prevê-se o jogo da segunda jornada com os níveis de confiança bem elevados, assim como a motivação.
O que diferencia esta selecção (como a de 2004 e 2006) das "outras", por exemplo a "geração de ouro" de Figo, Rui Costa, João Pinto, Baía, Fernando Couto, etc... é, precisamente, o facto de sabermos, hoje, exactamente o que pretendemos. Tanto dentro como fora de campo. Isto deve-se a uma forte liderança - Scolari. Este sabe gerir emoções e soube impulsionar a motivação de todos. Todos pela mesma causa.
Dentro do campo, o "nosso" Cristiano Ronaldo deu uma grande demostração de humildade, especialmente depois da história Man Utd vs. Real Madrid. Fez questão de ser "apenas" um dos onze. Deixou o Simão bater um livre, não exagerou nas fintas, correu, fintou, enfim... foi o que costuma ser, apenas sem tanto brilho que irá, sem dúvida, aparecer...
Uma palavra para os adeptos portugueses na Suiça, que deram mais um contributo para esta união que se gerou (e tem gerado) entre a comitiva portuguesa. São estes comprometimentos, que podemos chamar de "12º" jogador que, por vezes, ganham jogos!

Até quarta-feira!
Saudações

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A Psicologia do Desporto...

Uma das áreas emergentes, no desporto mundial, é a psicologia do... desporto.

Como tal, deixo o desafio a todos os visitantes para, de acordo com a sua memória ou conhecimento, votarem naquele nome (ou nomes) que acham que mais influência tem (ou têm) na psicologia do desporto nacional.

Os critérios para votar são os seguintes: ou porque conhecem, de facto, o trabalho da(s) pessoa(s) ou, então, apenas porque já ouviram falar no(s) nome(s).

Mas votem!

Saudações.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

O Inconsciente no desporto

De forma a compreender o comportamento humano consciente temos, sem dúvida, de compreender os fundamentos do inconsciente.

Quando se fala do inconsciente, fala-se de Freud e do Psiquismo.
Contextualizando este insconsciente, de forma a que todos possamos compreender o processo sintomático, vou tentar explicar o processo terapêutico: experiência emocional - recalcamento e esquecimento - neurose - análise através da associação livre de ideias - recordação - transferência - descarga emocional - cura.

Ou seja, o inconsciente é uma experiência (sob a forma de pensamento ou sentimento) que, consoante a forma como lidamos com isso, se torna útil (usualmente conhecido como "aprender com os erros") ou se recalca (digamos que se "esquece"). Acontece que as coisas não são assim tão esquecidas...

No desporto, não é o consciente que ganha jogos, a não ser que sejamos atletas de topo. Mas nem esses o conseguem! É o tal inconsciente que vai influenciar (nem que seja e entre outros factores) a concentração.

Não obstante, é este inconsciente que nos faz cometer o maior erro (como falhar um golo de baliza aberta).

Exemplo 1: um jogador tem 0,5s para decidir a melhor forma de bater a bola. Se nesse preciso momento o que lhe passa pela cabeça é "posso falhar..." então pronto, falhou! O insconsciente não está controlado (e não é facil fazê-lo - quiçá impossivel) e são os pensamentos mais primitivos que vêm à tona: derrota, falhanço, frustração, etc.

E isso é o que faz um grande jogador...

Hoje quem ganha o jogo é o treinador (equipa técnica) que conseguir controlar estes aspectos.

Exemplo 2: vejamos a equipa do SCP, que falhou meia-duzia de penalties esta temporada... bastou o 1º ter errado, para todos os outros, inconscientemente, falharem... já antes de chutar!

E Freud chamava a isso "inconsciente colectivo".

Bem hajam,

segunda-feira, 31 de março de 2008

"Sobredotação" ou "Talento" no desporto?

Uma das grandes dificuldades das ciências humanas e sociais prende-se com o facto de não conseguir identificar uma fronteira clara entre o normal e o não normal. A sobredotação pertence, claramente, à não normalidade.
A população destes indivíduos calcula-se entre os 3 e os 5%, sendo que a maioria não se manifesta, muito devido à falta de estimulação (Oliveira & Oliveira, 1999).

As aptidões de Mozart, Picasso, Newton ou Einstein são tão impenetráveis ao nosso entendimento que as explicamos dizendo que estes indivíduos nasceram génios. O meio não desempenha um papel interessante, se os talentos forem inatos e em grande medida fixos (Winner, 1999).

Outros psicólogos gostam de desacreditar a "psicologia popular", e o tema da sobredotação não foge à regra. No entanto, estes também têm o seu próprio mito: o de que a sobredotação é totalmente produto do meio. Argumentam que um treino intensivo, iniciado numa idade precoce, é suficiente para explicar até mesmo os casos mais extremos da sobredotação – as crianças prodígio, os sábios ou os adultos criadores (Winner, 1999).

A terminologia usada para caracterizar estes sujeitos com inteligência superior não é uniforme, onde normalmente se usam termos como “génio, talentoso ou prodígio”. Indiferentemente à nomenclatura, são sujeitos que se distinguem por possuírem uma grande capacidade intelectual e/ou artística, distanciando-se dos normais, por excesso, da mesma forma que os deficientes se distanciam, por defeito (Oliveira & Oliveira, 1999).

De Confúcio (China), Platão (Grécia) e mais recentemente Galton e Terman, um sobredotado caracteriza-se por: saúde física e mental, sucesso escolar, traços de personalidade, interesses extra-escolares, origem social, atitudes frente à vida, sucesso profissional, sentido crítico, capacidade de liderança, altas capacidades artísticas ou desportivas, mas essencialmente um QI superior a 130 (que passou a ser o critério mais seguido de identificação) (Oliveira & Oliveira, 1999).

Ao que ao desporto diz respeito, o que podemos dizer acerca dos nossos atletas? Vanessa Fernandes e Cristiano Ronaldo? Sobredotados? O que lhes podemos chamar?

A diferença enter génio e "não génio" é alguém que, para além das reconhecidas competências, acrescenta algo à humanindade (Einstein e a sua célebre E=m.c2). Logo não podemos chamar génio a um atleta? Aparentemente não... como tal, dá-se o nome de "Talentoso".

Talentoso é alguém extremamente bom numa determinada área, mas que não se distingue especialmente em mais nenhuma área. Cristiano Ronaldo é um craque da bola, mas na escola nunca se salientou dos demais.

Podemos concluir que não existem sobredotados no desporto? Por favor comentem!


Saudações