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quarta-feira, 25 de agosto de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
A senda da Psicologia do Desporto
Foi depois de ler um artigo super interessante de António Manuel Fonseca (2001) que resolvi abrir este post. Depois da batalha da qualidade ganha...
Nove anos depois continua válido o artigo, que defendia o seguinte:
- Existência de uma associação científica e/ou profissional reconhecida;
- Metodologia de investigação fiáveis, válidas, diversificadas, complementares e de natureza longitudinal - quantitativas e qualitativas;
- Relação entre psicologia e sociologia (e porque não filosofia? Defendo eu...);
- Psicologia do Desporto vs. Psicologia no Desporto;
- Acreditação: quem faz Psicologia do/no Desporto?;
- Formação dos treinadores e agentes desportivos para extrairem o máximo possível da psicologia (de forma a evitar ruído entre profisisonais - entre os próprios psicológos do desporto como entre as equipas multidisciplinares);
- O primeiro trabalho deve ser feito com as equipas técnicas e depois sim com os atletas.
Retiro ainda deste artigo a seguinte frase: "necessidade dos psicólogos do desporto despirem as suas batas brancas e deixarem os seus laboratórios para se concentrarem em estudar efectivamente a realidade desportiva, desenvolvendo os seus estudos no terreno, por forma a que as suas investigações e consequentes resultados se tornassem ecologicamente válidos e, nessa medida, potencialmente aproveitáveis para o melhoramento do processo de treino desportivo. Caso contrário existiria sempre um abismo entre o labor dos psicólogos do desporto e as necessidades reais e efectivas do desporto".
Acho que ainda me mantém válida esta chamada de atenção... mas de quem será a culpa?
Saudações,
domingo, 7 de fevereiro de 2010
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terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Diálogo interno e visualização mental
Algo que particularmente me aborrece é saber que existem especialistas em "diálogo interno" e outros em "visualização mental". Os chamados psicólogos do desporto. Eu, que sou apenas psicólogo (do ser humano como um todo), sou contra o dualismo cartesiano destes especialistas!
Mas como quem sabe só de psicologia, pouco sabe de psicologia... aqui vai um pouco de psicologia do desporto! Cómico, hã?
O ser humano está constantemente em diálogo interno através dos próprios pensamentos, que podem ser de natureza negativa (dúvida, incapacidade, falta de controlo) ou positiva (ânimo, segurança, eficácia). A literatura científica tem demonstrado que a convicção de executar algo com êxito (expectativas de auto-eficácia) produz um efeito favorável sobre a própria execução. É por este motivo que se devem incentivar os pensamentos positivos, de forma a contribuir para o aumento da confiança no êxito e permitam ao desportista ter uma prestação em condições favoráveis.
Quando a excitação se transforma em ansiedade ou quando uma atitude adequada se desequilibra, o atleta vai cometer erros. Este tende a focalizar imagens de insucesso, inadaptadas e incapacitantes que terão como consequência uma performance inferior. A performance vai ser tão má quanto o atleta recear poder ser. Contudo, os tipos de pensamentos que vão prejudicar (que podem inferir na excitação fisiológica) a performance do atleta (negativismo) podem ser associados a um sistema de reforços positivos (Vasconcelos-Raposo, 1991).
O desportista deve aprender a dialogar de forma positiva e ser capaz de identificar e substituir um qualquer pensamento negativo por pensamentos alternativos positivos. O primeiro passo para que o atleta consiga o controlar os seus pensamentos é estar consciente do discurso interno que mantém. Surpreendentemente, a maioria dos atletas não está consciente dos seus diálogos internos e ainda menos do impacto que estes têm sobre as suas acções (Williams, 1991).
A execução de êxito pode ser programada mediante pensamentos e imagens positivas antes da execução física. As afirmações positivas são manifestações que reflectem atitudes ou pensamentos positivos sobre si mesmo. Estes pensamentos quando utilizados frequentemente promovem a auto-confiança.
Se, para Williams (1991), a chave do controlo cognitivo é o diálogo interno, a frequência e conteúdo dos pensamentos dependem da pessoa e da situação se converte num recurso quando de alguma forma aperfeiçoa a execução da tarefa em causa, não podemos nunca negligenciar o ser humano à luz da experiência que transporta consigo um maior domínio de destrezas, facilitadora do diálogo interno, encurtando-o, tornando-o menos frequente e com mais probabilidade de se centrar em estratégias e sentimentos úteis.
E será com este tipo de aprendizagem cognitiva que se reduz o controlo consciente e se promove a execução automática das habilidades técnicas e físicas. Daí o lema: desde pequenino que se torce o pepino!
Viva os psicólogos na formação!
Bibliografia:
Vasconcelos-Raposo, J. (1991). Manual de definição de objectivos: Natação. Vila Real: UTAD.
Williams, J. M. (1991). Psicologia Aplicada al Deporte. Madrid: Biblioteca Nueva.
Williams, J. M. (1991). Psicologia Aplicada al Deporte. Madrid: Biblioteca Nueva.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
"Miúdos" do Dragão têm 97% de aproveitamento
tra notícia retirada do jornal O Jogo. O trabalho do Departamento Pedagógico do FC Porto conta com dois psicólogos, um técnico de serviço social e uma técnica de ciências da educação e visa essencialmente o bem estar social, familiar e académico. Estes factores vão influenciar a performance desportiva. Cada vez mais se dá conta de que um bom aluno tem mais estratégias para lidar com os apectos mentais inerentes à competição. O FC Porto sabe disso...
Aqui vai:
Longe vão os tempos em que a habilidade com a bola nos pés era condição mais do que suficiente para um jovem pousar os livros na prateleira à espera de melhor oportunidade e optar por uma carreira nos relvados, ainda que incerta. Na verdade, no FC Porto esses tempos já nem sequer existem. Simplesmente, "não há futebol sem estudos", frisa Ângelo Santos, director do Departamento Pedagógico, sediado na Casa do Dragão, instituição que alberga cerca de 47 jovens da formação, proporcionando-lhes condições especiais de estudo com base em parcerias com duas escolas da cidade. Por outras palavras, um jogador pode ser muito bom e promissor, mas se não estudar ou não estiver disposto a isso, também não pode jogar futebol no clube. "Quem está na formação, tem de estar na escola", alerta.
A medida nada tem de radical. "Antes, lutava-se para que os jogadores fossem à escola; agora a luta é para ver quem tira as melhores notas". Tudo isto num processo de responsabilização e consciência próprias que foi ganhando raízes ao longo dos últimos anos. Os resultados são esclarecedores. "Temos 97% de aproveitamento e constatamos que quem não tem aproveitamento escolar, também não é o melhor dentro do campo". Para Ângelo Santos, a aposta do FC Porto na conciliação do futebol com os estudos tem outra vantagem: convencer os pais a libertarem os filhos e a deixarem-nos sair de casa cedo para ingressarem no FC Porto. "Muitas vezes me dizem: ainda bem que o meu filho veio para o FC Porto, porque sei que aqui não se facilita na educação". Outro exemplo: Gray, um avançado sueco de 16 anos que era pretendido por um grande clube inglês, preferiu o FC Porto precisamente devido à aposta nos estudos. O caminho nem sempre é seguido pela maioria dos emblemas.
A Casa do Dragão, a mesma em que Pauleta ficou quando tentava a sorte nas camadas jovens portistas, acolhe várias nacionalidades. Há jogadores de Angola, Guiné, Brasil, Espanha, Suécia, Senegal, Turquia, República Checa, Estados Unidos e Eslováquia, para além de vários portugueses (a maioria, de resto). Segundo Ângelo Santos, todos "aprendem rapidamente" a língua portuguesa e até há quem se afirme como líder. É o caso de Abdoulaye, o gigante central senegalês da equipa de Sub-19. Sociável e responsável, é visto como um exemplo por todos os jovens que moram na Casa do Dragão. Aliás, Jesualdo Ferreira já o chamou por diversas vezes. Para estes jovens, as chamadas aos treinos da equipa principal são como viagens ao futuro no FC Porto. Com boas notas na escola, claro.
In O Jogo, em:
Cumprimentos,
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Workshop: "Psicologia e Pedagogia no Desporto"
Venho por este meio anunciar a intenção de organizar um Workshop subordinado ao tema: "Psicologia e Pedagogia no Desporto".
E para fugir à "vulgaridade" de convidar prelectores, sugiro que sejam estes a "convidarem-se". Não é necessário possuir CAP. Pretendo unicamente que os interessados proponham um tema que gostassem de abordar por, sensivelmente 40 minutos (com mais 20 minutos de debate).
Nesta fase pretendo saber se há alguém interessado em participar (tanto como orador ou como participante). O evento decorrerá na cidade do Porto, em local e data a definir.
Aguardo contacto para: psico.desporto@gmail.com
Cumprimentos,
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