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sexta-feira, 7 de maio de 2010

A senda da Psicologia do Desporto

Foi depois de ler um artigo super interessante de António Manuel Fonseca (2001) que resolvi abrir este post. Depois da batalha da qualidade ganha...

Nove anos depois continua válido o artigo, que defendia o seguinte:
- Existência de uma associação científica e/ou profissional reconhecida;
- Metodologia de investigação fiáveis, válidas, diversificadas, complementares e de natureza longitudinal - quantitativas e qualitativas;
- Relação entre psicologia e sociologia (e porque não filosofia? Defendo eu...);
- Psicologia do Desporto vs. Psicologia no Desporto;
- Acreditação: quem faz Psicologia do/no Desporto?;
- Formação dos treinadores e agentes desportivos para extrairem o máximo possível da psicologia (de forma a evitar ruído entre profisisonais - entre os próprios psicológos do desporto como entre as equipas multidisciplinares);
- O primeiro trabalho deve ser feito com as equipas técnicas e depois sim com os atletas.

Retiro ainda deste artigo a seguinte frase: "necessidade dos psicólogos do desporto despirem as suas batas brancas e deixarem os seus laboratórios para se concentrarem em estudar efectivamente a realidade desportiva, desenvolvendo os seus estudos no terreno, por forma a que as suas investigações e consequentes resultados se tornassem ecologicamente válidos e, nessa medida, potencialmente aproveitáveis para o melhoramento do processo de treino desportivo. Caso contrário existiria sempre um abismo entre o labor dos psicólogos do desporto e as necessidades reais e efectivas do desporto".

Acho que ainda me mantém válida esta chamada de atenção... mas de quem será a culpa?

Saudações,

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

"Miúdos" do Dragão têm 97% de aproveitamento

tra notícia retirada do jornal O Jogo. O trabalho do Departamento Pedagógico do FC Porto conta com dois psicólogos, um técnico de serviço social e uma técnica de ciências da educação e visa essencialmente o bem estar social, familiar e académico. Estes factores vão influenciar a performance desportiva. Cada vez mais se dá conta de que um bom aluno tem mais estratégias para lidar com os apectos mentais inerentes à competição. O FC Porto sabe disso...
Aqui vai:

Longe vão os tempos em que a habilidade com a bola nos pés era condição mais do que suficiente para um jovem pousar os livros na prateleira à espera de melhor oportunidade e optar por uma carreira nos relvados, ainda que incerta. Na verdade, no FC Porto esses tempos já nem sequer existem. Simplesmente, "não há futebol sem estudos", frisa Ângelo Santos, director do Departamento Pedagógico, sediado na Casa do Dragão, instituição que alberga cerca de 47 jovens da formação, proporcionando-lhes condições especiais de estudo com base em parcerias com duas escolas da cidade. Por outras palavras, um jogador pode ser muito bom e promissor, mas se não estudar ou não estiver disposto a isso, também não pode jogar futebol no clube. "Quem está na formação, tem de estar na escola", alerta.

A medida nada tem de radical. "Antes, lutava-se para que os jogadores fossem à escola; agora a luta é para ver quem tira as melhores notas". Tudo isto num processo de responsabilização e consciência próprias que foi ganhando raízes ao longo dos últimos anos. Os resultados são esclarecedores. "Temos 97% de aproveitamento e constatamos que quem não tem aproveitamento escolar, também não é o melhor dentro do campo". Para Ângelo Santos, a aposta do FC Porto na conciliação do futebol com os estudos tem outra vantagem: convencer os pais a libertarem os filhos e a deixarem-nos sair de casa cedo para ingressarem no FC Porto. "Muitas vezes me dizem: ainda bem que o meu filho veio para o FC Porto, porque sei que aqui não se facilita na educação". Outro exemplo: Gray, um avançado sueco de 16 anos que era pretendido por um grande clube inglês, preferiu o FC Porto precisamente devido à aposta nos estudos. O caminho nem sempre é seguido pela maioria dos emblemas.


A Casa do Dragão, a mesma em que Pauleta ficou quando tentava a sorte nas camadas jovens portistas, acolhe várias nacionalidades. Há jogadores de Angola, Guiné, Brasil, Espanha, Suécia, Senegal, Turquia, República Checa, Estados Unidos e Eslováquia, para além de vários portugueses (a maioria, de resto). Segundo Ângelo Santos, todos "aprendem rapidamente" a língua portuguesa e até há quem se afirme como líder. É o caso de Abdoulaye, o gigante central senegalês da equipa de Sub-19. Sociável e responsável, é visto como um exemplo por todos os jovens que moram na Casa do Dragão. Aliás, Jesualdo Ferreira já o chamou por diversas vezes. Para estes jovens, as chamadas aos treinos da equipa principal são como viagens ao futuro no FC Porto. Com boas notas na escola, claro.

In O Jogo, em:

Cumprimentos,

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Workshop: "Psicologia e Pedagogia no Desporto"

Venho por este meio anunciar a intenção de organizar um Workshop subordinado ao tema: "Psicologia e Pedagogia no Desporto".

E para fugir à "vulgaridade" de convidar prelectores, sugiro que sejam estes a "convidarem-se". Não é necessário possuir CAP. Pretendo unicamente que os interessados proponham um tema que gostassem de abordar por, sensivelmente 40 minutos (com mais 20 minutos de debate).

Nesta fase pretendo saber se há alguém interessado em participar (tanto como orador ou como participante). O evento decorrerá na cidade do Porto, em local e data a definir.

Aguardo contacto para: psico.desporto@gmail.com

Cumprimentos,

Sidónio Serpa: "Autoconfiança após vitória sobre a Hungria pode ter efeito positivo na Selecção"

Outra notícia interessante, deste conceituado Psicólogo do Desporto, Sidónio Serpa, desta vez acerca da elecção das Quinas:

A autoconfiança decorrente do bom resultado de Portugal com a Hungria (3-0) pode ter um efeito positivo na selecção portuguesa de futebol, considera o presidente da Sociedade Portuguesa de Psicologia Desportiva, Sidónio Serpa.


Aquele professor da Faculdade de Motricidade Humana afirmou à Lusa que o bom resultado de sábado, conjugado com o facto de o próximo jogo de apuramento para o Mundial2010 ser decisivo mas com uma equipa (Malta) teoricamente mais fraca, pode gerar um nível de ansiedade equilibrado e favorável ao bom desempenho.

Sidónio Serpa salientou que a apreciação que pode fazer "é no abstracto" porque não conhece os processos internos da selecção portuguesa, a realidade da equipa, as características pessoais dos jogadores e os líderes da equipa, que podem ajudar a gerir as emoções.

Aquele professor universitário, que é secretário-geral da International Society of Sport Psychology (ISSP), salientou que tanto a ansiedade demasiado elevada como a demasiado baixa podem ter consequências negativas no desempenho humano.

Em qualquer situação desportiva, a ansiedade muito elevada leva a problemas de concentração, de controlo motor e no processo de tomada de decisão, que podem afectar o desempenho, sublinhou.

Salientou que, pelo contrário, na ausência de ansiedade a pessoa não vive o estado de alerta emocional e de atenção necessários para reagir convenientemente aos problemas que tem de resolver.

Sidónio Serpa salientou que pode haver um aumento da ansiedade decorrente da obrigação de ganhar um jogo, mas o bom resultado da selecção nacional na partida de sábado, "em que as coisas correram muito bem", pode ter um efeito positivo por aumento da autoconfiança. "A ansiedade tende a ser menor quando a autoconfiança é maior", observou.

"Em jogos anteriores os jogadores [da selecção portuguesa] jogaram bem mas faltaram golos, o que aumenta a ansiedade, mas ontem [sábado] jogaram bem e isso pode ter um efeito favorável na autoconfiança da equipa, o que vai baixar o estado de ansiedade da equipa para um nível que pode ser favorável", precisou.

Sidónio Serpa salientou que o próximo jogo da selecção nacional é "teoricamente fácil, com uma equipa bastante mais fraca do que a portuguesa, o que pode colocar a ansiedade num nível demasiado baixo e dificultar a reacção aos problemas que surjam no jogo".

"Aqui há um aspecto que pode jogar favoravelmente, que é ser um jogo de vida ou de morte, o que aumenta o nível de ansiedade, que tende a ser muito baixo", acrescentou.

"Ainda que o jogo fácil possa levar [os jogadores] a entrar demasiado descontraídos, o facto de ser decisivo aumenta a ansiedade", enquanto "o risco de, por ser um jogo tão importante, trazer uma ansiedade tão elevada que prejudique o desempenho, é moderado" pelo aumento da autoconfiança após o último jogo, precisou.

Para aquele especialista em psicologia desportiva, até quarta-feira as emoções gerem-se transmitindo a ideia de que o jogo é muito importante mas utilizando o reforço da autoconfiança obtido com o resultado de sábado e, dentro da equipa, estando atento às diferentes características dos diversos jogadores.

Os mais experientes podem ter uma influência emocional positiva e deve ser dada particular atenção aos menos experientes ou emocionalmente menos estáveis, caso haja, indicou.

In O Jogo, em
 
Cumprimentos,

terça-feira, 14 de julho de 2009

Dirigentes e treinadores não sabem o que é a psicologia desportiva

Li, hoje, esta notícia, acerca da presença de um psicólogo em equipas técnicas:

Ao contrário de outros países com ambições desportivas, Portugal não tem apostado na área da Psicologia Desportiva. “É uma característica negativa que nos distingue, não temos estrutura estatal nem apoio formal»”, considera o Prof. Sidónio Serpa.
Nos Jogos Olímpicos de Pequim havia psicólogos em quase todas as equipas olímpicas.
"Só os chineses tinham 25 psicólogos. Das 51 medalhas que obtiveram, 47 tiveram a intervenção destes profissionais", diz.
"Mesmo países mais pequenos que Portugal, como a Islândia ou o Chipre - assinala - levaram um psicólogo”, refere ainda o supracitado.
Esta “tendência actual dos países integrarem os aspectos psicológicos não está formalizada em Portugal”, considera. “Não temos estrutura estatal nem apoio formal neste âmbito”, acrescenta, lembrando que o trabalho da unidade de Psicologia do Centro de Alto Rendimento do Jamor, da qual fazia parte, foi interrompido o ano passado.
Para o psicólogo isto deve-se ao desconhecimento que existe sobre a área. “Os dirigentes e os treinadores não sabem o que é a psicologia desportiva. Ainda existe a ideia de que é para quem tem problemas psicológicos. Mas isto não é psicologia clínica, nem eu sou psicólogo clínico. A tarefa de um psicólogo do desporto é conhecer os pontos fortes e fracos do atleta e assim orientá-lo para que este desempenhe melhor o seu papel e tenha um maior rendimento”.
Em vez dos “responsáveis se informarem acerca desta área, ignoram-na”, conclui.

Sidónio Serpa faz trabalho prático com atletas de alta competição e é também professor responsável pela área de psicologia do desporto tanto a nível de licenciatura, como pós-graduação e mestrado na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. Como investigador, trabalha sobre os diversos aspectos da psicologia de alto rendimento, como as relações entre treinador e atleta. É o primeiro português presidente da Sociedade Internacional de Psicologia do Desporto.

Parabéns, Professor, pela distinção de "Prémio Internacional de Psicologia do Desporto", e por se ter tornado no primeiro português a ser distinguido pela «Association for Applied Sport Psychology».
In Ciência Hoje, disponível online em http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=33171&op=all